Ainda orangotangos

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0 - ap - 0 - o ano

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Porto Alegre: Livros do Mal, 2003

Rio de Janeiro: Bertrand Brasil / Grupo Editorial Record, 2007

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Os personagens dos contos do escritor gaúcho Paulo Scott estão em conflito. Perderam, e não lembram onde, aquilo que os tornaria seres humanos. Vivem situações-limite, à beira do surreal, num tom seco, brutal, fechado a alternativas. (…) o contista fala do desafio de existir, sobretudo nutrindo esperanças e lucidez. Scott ilumina a face tenebrosa dessas caricaturas humanas sujeitas a comportamentos bizarros, grotescos e – o mais importante, embora perturbador – familiares. Como se qualquer um pudesse cometer as mesmas insanidades e excessos, apesar da impossibilidade de admiti-lo.
JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

O que escrever mais? O que acrescentar? Que é preciso concordar com tudo o que se disse sobre Ainda orangotangos? Que o livro se lê sob forte impacto numa tarde brasiliense chuvosa, ainda que o corpo do leitor não esteja na melhor das condições? Que as histórias (enxutas, enxutas) seduzem a ponto de querermos voltar para verificar de onde nasceu aquele efeito?
JORNAL CORREIO BRAZILIENSE

Os relatos são quase sempre de extrema concissão, não ultrapassando duas páginas. O formato permite ao autor gaúcho, porém, demonstrar a habilidade que possui em tecer tramas densas.
JORNAL DO COMÉRCIO (PORTO ALEGRE)

Paulo Scott não brinca quando mostra os dentes. Não brinca quando escreve como quem escava, com as unhas, na tela do computador, cenas e figuras que nos paralisam. Acabaram-se as férias de quem pretendia, nelas, ler Literatura. Pode ler, vale a pena. Mas as férias ficarão marcadas para sempre. Marcas que são hematomas na alma sensível de quem se acostumou a ser bem-tratado pela Literatura. Aí está uma nova literatura. Que nos maltrata, sendo boa.
JORNAL PORTO & VÍRGULA

Ainda Orangotangos, o livro de Paulo Scott, é um painel contundente de uma Porto Alegre habitada por pessoas que se movem impulsionadas por instintos e razões às vezes não-civilizadas.
JORNAL ZERO HORA

Deficientes físicos, artistas, criminosos e tipos vagamente desequilibrados partilham o cenário das ruas de Porto Alegre. Indo do terror às recordações de infância, os contos de Scott conseguem ter unidade – vinda do estilo do autor e da sua preocupação com o aspecto sensório – apesar dos temas díspares. Mesmo que muito bem escritos, os contos estão longe de agradáveis. Seja pelas explosões de violência ou por uma sugestão constante de perigo que as permeia, as histórias não descem leves. Ler o livro em uma sentada acentua o efeito, ao contaminar as narrativas mais leves – como “Sopros de Ampulheta” e “Casacas Grenais” – com o peso das anteriores. Além de tratar temas difíceis sem sentimentalismo ou a irritante preocupação de oferecer soluções, “Ainda Orangotangos” se destaca por seus experimentos formais. Parágrafos são desmontados ou compactados, histórias são contadas fora de ordem ou começam depois do seu início, criando efeitos que fortalecem o texto sem prejuízo.
JORNAL A TARDE (SALVADOR)

Os contos colocam a violência no patamar do absurdo, com paroxismos de crueldade.
JORNAL DO BRASIL

O efeito do conto por excelência se faz presente: as narrativas esticam a realidade até o limite da loucura, do fantástico e da irrealidade.
BLOG BIBLIOTECA VERTICAL

Por mais que os contos não sejam realmente bonitos, no sentido de serem uma história “agradável” de se ler, isso acaba virando um dos maiores atrativos do livro. Nas linhas de Scott, beleza e fealdade são como gêmeos siameses dividindo algum órgão vital. Do mesmo modo que ele consegue narrar um massacre na festinha infantil, ele conta do filho que toureia carros em homenagem a mãe recém falecida. Ambos de forma bela, sem deixar de ser um soco no estômago. Sempre há uma angústia presente, como solidão, raiva, medo. Mas há carinho, amor, proteção. Todos os instintos mais primitivos.
Nenhum conto é dos mais comuns nas suas estruturas. O maior desse livro tem seis páginas. Todos estão em parágrafo único. O primeiro impacto, então, fica na transmutação de vozes narrativas entre narrador e personagens, ou narrador/personagem e diálogos com outras personagens. Também o autor utiliza sem remorso (e com grande habilidade) os parênteses.
BLOG POSSO TE INDICAR UM LIVRO?

Livro finalista do Prêmio Açorianos de Literatura de 2004.

Livro contemplado no Fumproarte 2002/03 – de apoio à produção cultural em Porto Alegre.

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