A timidez do monstro

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0 - ap - 0 - o ano

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Rio de Janeiro: Objetiva, 2006

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Com ilustrações de Guilherme Pilla, a obra é uma instigante incursão à poética severa de Scott.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

A festa promovida por Paulo Scott, que recém-lançou o desconcertante romance Voláteis e que se prepara para reincidir num gênero que ele definitivamente está sacudindo, a poesia (Senhor Escuridão, a sair na próxima Bienal Internacional do Livro de São Paulo), é regada a substâncias que não identificamos e, no entanto, não nos fazem sonhar. O sonho vinha de antes, do lirismo sem liberdade e acomodado que nos deixava adormecidos ou nos distraía com alucinações pseudo-adultas. A Timidez do Monstro nos dá o safanão inadiável e nos carrega para encarar uma manhã desfigurada.
São 57 poemas roendo a corda do relógio, instalando-se, como um vírus, felizmente já identificado. Há toda uma literatura sobre esse vírus: Histórias Curtas para Domesticar as Paixões dos Anjos e Atenuar os Sofrimentos dos Monstros, Ainda Orangotangos, mais o romance já citado e, agora… isto!
Sim, porque como podemos classificar A Timidez…? Nada tímido, a começar pelas fortes ilustrações de Guilherme Pilla, a impedir que o leitor tome fôlego entre um poema e outro. O “eu lírico” encontra em Scott uma capacidade assombrosa de extirpar de si mesmo, não a consciência, mas a falsa consciência, recoberta de um típico traje a passeio, em geral posto para lisonjear o leitor pela performance e exemplar comportamento do poeta.
JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO

O autor não está disposto a fazer concessões, nem há indícios de querer seduzir. O lirismo oculto de Scott não tem asas, nem promessa de conforto. São versos produzindo cortes. Como cacto, pode ferir e enterrar o espinho e a estranheza no leitor. Como fotograma traz em si o recorte, o detalhe capturado fora do senso comum e da lógica cartesiana.
É poesia escassa de adjetivos, mas não de verbos e imagens. As ilustrações feitas por Guilherme Pilla casam perfeitamente com os poemas. E o contraste do preto e do branco nas páginas combina com a escuridão interna dos versos. Serão versos desgarrados de sentidos? Não. Como poeta, Scott não teme enigmas ou hermetismos.
JORNAL O GLOBO

São versos que recusam o lirismo fácil e investem na fragmentação das situações. Daí também advém o título: a timidez do monstro é uma referência ao papel deslocado da sensibilidade artística frente à realidade.
JORNAL ZERO HORA

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