Nasceu em Porto Alegre, mora atualmente no Rio de Janeiro, escreveu e publicou um romance (Voláteis), um livro de contos (Ainda orangotangos), quatro livros de poemas (O monstro e o minotauro / Senhor escuridão / A timidez do monstro / Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros), traduz do inglês, escreve textos de dramaturgia e roteiros, colabora com revistas, jornais e suplementos de cultura do país.
O MONSTRO E O MINOTAURO
(São Paulo: Dulcinéia Catadora, 2011)
Livro produzido em co-autoria com Laerte (http://www.laerte.com.br) a convite da editora e da Festa Literária de Porto Alegre – FESTIPOA.
AINDA ORANGOTANGOS
(Porto Alegre: Livros do Mal, 2003 / Rio de Janeiro: Bertrand, 2007)
O que escrever mais? O que acrescentar? Que é preciso concordar com tudo o que se disse sobre Ainda orangotangos? Que o livro se lê sob forte impacto numa tarde brasiliense chuvosa, ainda que o corpo do leitor não esteja na melhor das condições? Que as histórias (enxutas, enxutas) seduzem a ponto de querermos voltar para verificar de onde nasceu aquele efeito?
JORNAL CORREIO BRAZILIENSE
Os personagens dos contos do escritor gaúcho Paulo Scott estão em conflito. Perderam, e não lembram onde, aquilo que os tornaria seres humanos. Vivem situações-limite, à beira do surreal, num tom seco, brutal, fechado a alternativas. (…) o contista fala do desafio de existir, sobretudo nutrindo esperanças e lucidez. Scott ilumina a face tenebrosa dessas caricaturas humanas sujeitas a comportamentos bizarros, grotescos e – o mais importante, embora perturbador – familiares. Como se qualquer um pudesse cometer as mesmas insanidades e excessos, apesar da impossibilidade de admiti-lo.
JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO
Os relatos são quase sempre de extrema concissão, não ultrapassando duas páginas. O formato permite ao autor gaúcho, porém, demonstrar a habilidade que possui em tecer tramas densas.
JORNAL DO COMÉRCIO (PORTO ALEGRE)
A matéria-prima desses contos é a observação e a valorização de incidentes que se tornam invisíveis em sua ocorrência freqüente nos grandes centros urbanos.
JORNAL O GLOBO
Paulo Scott não brinca quando mostra os dentes. Não brinca quando escreve como quem escava, com as unhas, na tela do computador, cenas e figuras que nos paralisam. Acabaram-se as férias de quem pretendia, nelas, ler Literatura. Pode ler, vale a pena. Mas as férias ficarão marcadas para sempre. Marcas que são hematomas na alma sensível de quem se acostumou a ser bem-tratado pela Literatura. Aí está uma nova literatura. Que nos maltrata, sendo boa.
JORNAL PORTO & VÍRGULA
Deficientes físicos, artistas, criminosos e tipos vagamente desequilibrados partilham o cenário das ruas de Porto Alegre. Indo do terror às recordações de infância, os contos de Scott conseguem ter unidade – vinda do estilo do autor e da sua preocupação com o aspecto sensório – apesar dos temas díspares. Mesmo que muito bem escritos, os contos estão longe de agradáveis. Seja pelas explosões de violência ou por uma sugestão constante de perigo que as permeia, as histórias não descem leves. Ler o livro em uma sentada acentua o efeito, ao contaminar as narrativas mais leves – como “Sopros de Ampulheta” e “Casacas Grenais” – com o peso das anteriores. Além de tratar temas difíceis sem sentimentalismo ou a irritante preocupação de oferecer soluções, “Ainda Orangotangos” se destaca por seus experimentos formais. Parágrafos são desmontados ou compactados, histórias são contadas fora de ordem ou começam depois do seu início, criando efeitos que fortalecem o texto sem prejuízo.
JORNAL A TARDE (SALVADOR)
A TIMIDEZ DO MONSTRO
(Rio de Janeiro: Objetiva, 2006)
Com ilustrações de Guilherme Pilla, a obra é uma instigante incursão à poética severa de Scott.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
SENHOR ESCURIDÃO
(Rio de Janeiro: Bertrand Brasil / Editora Record, 2006)
Uma poesia que surpreende o leitor pelas imagens aparentemente sem consonância. Mas tal estranhamento é estimado e perseguido pelo poeta.
JORNAL CORREIO BRAZILIENSE
Com certeza leitores vão estranhar os textos de Scott, achando que aquilo não é poesia – em parte o preconceito decorre da idéia romântica do poema, bobagem que continua a persistir. Deve-se lembrar que muitos poemas considerados como ‘anti’, quando apareceram, se tornaram canônicos, como foi o caso de Drummond e aquela pedra.”
REVISTA CULT
Os poemas de Scott estão sempre no limite da inteligibilidade, com imagens que nascem menos das correspondências entre som e sentido que do atrito (…) Scott passa ao largo dos valores dominantes da poesia brasileira.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
Sem quaisquer obrigações de prestar contas a quem quer que seja, Scott realiza um antilirismo. Diferente de João Cabral de Melo Neto, que a todo tempo dialetizava com a tradição com a qual rompia, o poeta gaúcho assimilando a herança estética pós-moderna não adota o mesmo discurso, embora caminhe na mesma perspectiva de ruptura e renovação. O poeta canta seus temas sem sentido e perversos, abrindo mão de recursos usuais, além de realizar construções que em muito se assemelham a colagens e instalações de artes plásticas. A sua gramática poética flerta de perto com o videoarte.
JORNAL DA PARAÍBA
Leitores de poesia são a minoria da minoria. O extremo estreito do funil que representa a parte da população interessada em literatura de imaginação. Como raio que cai duas vezes no mesmo lugar, o feito de Paulo Scott (além de escrever bem como poucos) foi publicar, somente neste ano, dois livros de poesia por duas grandes editoras brasileiras.
JORNAL GAZETA DO POVO DE CURITIBA
Quem lê os poemas do livro, compostos em sua maioria com concisão e até de forma seca, se depara com uma visão pouco abonadora do homem e de seus atos, de seus segredos e podridões, de suas angústias e fantasias, de suas práticas e costumes. As relações entre as pessoas ganham um contorno triste e nada elogiável, numa constante negociação em que a mais-valia dita o comportamento, em que o egoísmo está em quase tudo, em que os valores éticos são simplesmente jogados na latrina, sem remorsos ou punições. Um dos poemas mais emblemáticos disso é Massa Instantânea. Com apenas três versos, o autor aborda, de forma bastante direta, a questão da injustiça social em uma de suas facetas mais cruéis. Mas essa abordagem não é panfletária, gratuita, não traz em seu cerne o afobamento de passar uma mensagem política e socialmente engajada. Ela é quase de um cronista, de um observador mais atento, que não se conforma com uma visão superficial, rasa. Ele vai mais fundo, tocando até certo ponto no lírico, em que a crítica acaba por funcionar de uma maneira mais eficaz. Muitos dos poemas são totalmente imagéticos. Curtos, vários deles são apenas uma imagem, caso de Anabolismo. Não é exatamente uma mensagem que o autor passa nesses momentos e sim um cutucão que ele dá no leitor, chamando-o à interpretação. Facilidade não é o forte de Paulo Scott. Em certa medida, o autor chega a ser hermético, com referências que, a despeito de poderem ser tomadas num plano universal, não disfarçam sua origem pessoal. Isso, porém, não é o maior obstáculo para o entendimento mais rápido dos versos. Essa característica é intrínseca, está nos genes da póetica de Scott e não apenas em sua temática. Scott fala de assuntos muito tristes em Senhor Escuridão. Um deles é a pedofilia e o abuso sexual dentro de casa. Isso está mais ou menos explícito em Odor de Filho Branco, em que uma cena familiar cotidiana é o prenúncio de uma relação incestuosa e covarde. Em Campo de Força que te Observa, a prostituição das ruas e seus cenários ganham tradução nos versos, descrição em que os detalhes fornecem ao imaginário o retrato do ambiente em que a dignidade humana perde muito de seu sentido.
JORNAL O POPULAR DE GOIÂNIA
VOLÁTEIS
(Rio de Janeiro: Objetiva, 2005)
O tom marginal marca uma literatura brasileira contemporânea ágil e essencialmente urbana, repleta de referências ao universo pop; não abre mão do lirismo, mas não se entrega a um sentimentalismo fácil.
REVISTA BRAVO!
Os diálogos são poderosos.
REVISTA ÉPOCA
Ressalte-se, da agilidade narrativa, um uso preciso dos diálogos e um relato por vezes elíptico ou fragmentário, para se imaginar o quanto o livro, inspirado nas aspirações dos personagens, pode prender a atenção do leitor e roubar-lhe o fôlego.
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO
Uma legítima narrativa noir brasileira, triste e contemporânea.
JORNAL GAZETA MERCANTIL
O romance dá a dica que o inferno não é o “outro”, mas o próprio “eu” dissolvido em niilismo e desassossego. O texto possui ritmo veloz e tom de roteiro. Há boas descrições e a narrativa tem marcas cinematográficas, com diálogos ágeis, parágrafos curtos que conduzem o suspense. A leitura não pede pausa, entra-se avidamente no script. Como num thriller, cujo desfecho surpreende, a trama de amor, traição e crimes fisga de imediato o leitor.
JORNAL O GLOBO
Intenso.
REVISTA ISTO É
Paulo Scott é um exímio equilibrista da linguagem. Não deixa você tomar fôlego. A linguagem é fragmentada e ao mesmo tempo lírica, prendendo o leitor a cada linha.
JORNAL TRIBUNA DO NORTE
Scott entrecruza as vidas desajustadas de quatro personagens centrais, numa cidade sem nome cuja descrição imprecisa parece a de uma Porto Alegre situada numa realidade alternativa. (…) A trama policial se torna pretexto, embora conduzida com destreza até o fim.
JORNAL ZERO HORA
O “voláteis” do título não se refere apenas às bebidas alcoólicas, bastante presentes, mas também define a fragilidade das relações interpessoais. Com um estilo alternando entre o sofisticado e o cru, Scott envolve o leitor ao contar a preparação para o roubo de uma joalheria.
REVISTA VIP
HISTÓRIA CURTAS PARA DOMESTICAR AS PAIXÕES DOS ANJOS E ATENUAR OS SOFRIMENTOS DOS MONSTROS
(Porto Alegre: Sulina, 2001)






